Pesquisadores flagram botos brincando com sucuri

Estudiosos acreditam que cobra, possivelmente morta, não serviria de alimento para botos, que usariam animal como forma de ensinar os filhotes. Pesquisa foi publicada em artigo de revista científica internacional.


Por Rota Araguaia em 05/05/2022 às 13:43 hs

Pesquisadores flagram botos brincando com sucuri
Botos interagem com cobra anaconda em rio boliviano — Foto: Alejandro dos Rios/Divulgação

Por Gustavo Chagas, g1 RS

O pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Omar Machado Entiauspe Neto, de 24 anos, e dois colegas registraram a interação de dois botos com uma anaconda em um rio da Bolívia. As imagens são de um estudo publicado pela revista científica "Ecology", dos Estados Unidos.

O biólogo é mestrando em Biologia Animal na UFRGS e trabalhou com os cientistas Steffen Reichle e Alejandro dos Rios, de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Reichle e Rios estavam no rio Tijamuchin, na região de Beni, próximo a Rondônia, em agosto de 2021, quando foi feito o registro. As interações entre os botos e as cobras sucuris são consideradas difíceis de se observar.

Na análise, os pesquisadores afirmam que, possivelmente, a cobra já estava morta quando foi fotografada e que não serviria de alimento para os golfinhos.

"A gente sabe que os botos se alimentam de peixes e crustáceos, que são animais bem pequenos. Apesar de eles serem animais grandes, de até dois metros, o diâmetro da boca deles não permite que comam animais muito grandes", explica.

Os botos, acreditam os cientistas, estavam brincando com o animal, como um item lúdico, possivelmente de ensino. O estudo aponta que futuras observações, análises da dieta dos golfinhos e armadilhas fotográficas podem ajudar a compreender o comportamento registrado no rio.

Como Reichle trabalha na área de conservação, Omar contribuiu com o seu conhecimento sobre as serpentes no artigo. O resultado do estudo foi noticiado pelo jornal americano The New York Times nesta semana.

O jovem fez pesquisas na Bolívia, analisando serpentes conservadas em coleções no país vizinho. Atualmente em Pelotas, no Sul do estado, ele prossegue o estudo de seu mestrado.



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